Testemunhos
Entre 8 e 25 de Agosto foi realizada uma missão juvenil em Angola. Foi constituída por uma religiosa, irmã Maria, um irmão dehoniano, Orlando, o padre Eduardo SCJ e quatro jovens de Macau. A’O CLARIM, os sete membros da missão enviaram os seus testemunhos. A todos os paroquianos das igrejas de Nossa Senhora do Carmo e da Sé Catedral agradecem o apoio e as orações que por meio deles receberam. Partilhamos algumas das suas impressões e experiências com os leitores.

Foi a minha primeira experiência como coordenadora de um grupo, bem como a trabalhar num orfanato. Foi difícil, mas foi uma experiência única que vou guardar com carinho para o resto da vida. Estar com aquelas crianças foi algo novo, foi uma experiência repleta de amor, carinho e empenho. É importante referir que pude perceber o quanto sou paciente e que preciso de melhorar as minhas competências para ensinar e lidar com crianças. De alguma forma, mudei por dentro e, com certeza, vou tentar tornar-me uma pessoa melhor a partir de agora. Espero que as crianças também me tenham olhado como uma amiga e tenham recebido um pouco do meu amor. Estou eternamente grata a Deus por esta experiência, que mudou a minha vida. Agradeço ao padre Eduardo pelo convite e a todo o grupo pelo trabalho fantástico e pela amizade que surgiu através desta missão. E agradeço à paróquia de Nossa Senhora do Carmo e a todas as pessoas que tornaram a missão possível.
Samira

Partilhar com os órfãos foi difícil. Embora a grande maioria deles adorasse brincar, fosse despreocupada e, no geral, muito carente, foi algo que eu tinha de aceitar, uma vez que muitos deles foram abandonados ou magoados. Daí que precisassem de alguém que lhes desse o amor de que sentiam falta há tanto tempo. No final, fiz amizade com muitos deles. De uma forma muito simples, interagir com a comunidade dehoniana foi fantástico. No início, senti-me um pouco excluído, pois era o único rapaz. Mas, aos poucos, percebi que não se importavam com a minha idade, porque valorizavam muito o trabalho que eu estava a fazer na missão e viam em mim mais do que apenas uma criança. Resumindo, uma missão pode realmente mudar uma pessoa, tal como me mudou a mim, especialmente quando vivemos a experiência de servir as necessidades dos outros; é uma experiência que recomendo a quem tem dificuldades com a fé ou consigo mesmo como um todo; é fantástica.
Miguel
A experiência no orfanato mudou-me a vida em todos os sentidos. Desde o primeiro dia, quando conheci as crianças, até ao dia em que me despedi, criei laços que levarei comigo para sempre. Vê-las a brincar e a sorrir todos os dias, apesar das suas circunstâncias, fez-me reflectir sobre a importância da gratidão, do amor e das pequenas coisas da vida.
Dúnia

Enquanto jovem religioso, a experiência em Angola foi profundamente enriquecedora. Conhecer os irmãos dehonianos e testemunhar o seu trabalho pastoral, numa região onde a ajuda é extremamente necessária, fortaleceu a minha formação. A sua generosidade e empenho inspiraram-me a entregar-me mais plenamente ao serviço de Deus e a abraçar a disponibilidade como um valor essencial da minha vida religiosa enquanto irmão dehoniano. A minha impressão acerca da nossa missão em Angola é muito positiva. Foi uma oportunidade valiosa para vivenciar a vida numa parte do mundo onde as pessoas necessitam grandemente de apoio e cuidados. Ver os meus irmãos dehonianos a dedicarem generosamente as suas vidas ao serviço do povo de Deus inspirou-me a comprometer-me ainda mais com o serviço missionário.
Irmão Orlando

Como angolana, trabalhar no lar infantil de Santa Isabel foi uma experiência enriquecedora. Ver as crianças, mesmo sem família nem bens materiais, a servir a Deus com toda a alegria e entusiasmo, fortaleceu a minha fé. Rezavam o Terço todos os dias e louvavam a Deus em diferentes dialectos nacionais. O orfanato foi uma bela lição e ajudou a moldar a minha fé em Cristo.
Shelcia

A missão em Luanda foi uma experiência fantástica. O nosso grupo de sete missionários ficou alojado na casa dos dehonianos durante toda a Missão. Como sempre acontece quando alguém está disposto a fazer trabalho voluntário, fazemos planos para dar, mas, na verdade, somos nós que mais recebemos. Por isso, foi tão edificante: a caridade e o espírito de serviço dos padres que nos receberam na sua comunidade, as calorosas boas-vindas dos paroquianos, o sorriso inestimável de cada criança e jovem que nos recebeu no orfanato, e a alegria e o companheirismo do grupo. Estou grata a Deus por me ter dado esta oportunidade de participar e fazer parte desta missão, porque tudo o que aprendemos lá, a nível pessoal e de grupo, ficará connosco para sempre.
Irmã Maria

Além de visitar as crianças com os outros missionários, fui convidado a dar algumas palestras de formação às noviças e postulantes das Irmãs Dominicanas de Santa Catarina. Eram dezoito no total. Fiquei muito contente por ver o interesse que demonstraram por aquilo que partilhei sobre a Teologia do Corpo de São João Paulo II. As irmãs expressaram o seu agradecimento cantando e dançando para nós. Disseram-me que foi pela providência de Deus que não conseguimos chegar a Luena, para que eu lhes pudesse dar estas aulas. Mas, na verdade, aprendi muito com as suas partilhas e com o seu entusiasmo.
Padre Eduardo, SCJ

