O Papa vai a Portugal!

Durante o encontro de Rimini, promovido pelo movimento “Comunhão e Libertação”, Leão XIV passava por um corredor de jovens. As notícias dão conta de centenas de milhar de jovens presentes. Vi a reportagem através do telemóvel de um deles. O Papa avança lentamente, saudando, à esquerda e à direita, a juventude de tantos países ali reunida. Ao passar em frente de um grupo de lusitanos que gritava a plenos pulmões «Fátima! Fátima!», e ostentava um pano a dizer “Fátima espera por ti!”, o Papa repara, sorri com cara de cumplicidade e levanta o polegar a confirmar.

A seguir, começaram a circular informações de várias origens. Ainda não se sabe a data, pensa-se que irá a Fátima, a Lisboa, ao Porto, a Braga, à Madeira e aos Açores…

No final de Setembro irá a França, tem já outras viagens marcadas e, se tudo correr bem, irá em 2027 a Portugal. Não precisamos de saber já os dias para sonhar com tê-lo connosco.

É natural que reparemos na injustiça de recebermos visitas tão frequentes dos vários Papas, em comparação com países muito mais importantes. De facto, não merecemos. Temos que o agradecer a Nossa Senhora, que escolheu aparecer em Fátima, quando tantos lugares do mundo ofereciam melhores condições.

O último apontamento aqui publicado, acerca do milagre do Sol, em Fátima, suscitou algumas reacções de surpresa por ter sido escrito por um professor de Engenharia. De facto, nalguns ambientes cimentou-se a convicção de que as Ciências da Natureza esfriam a relação com Deus. No entanto, a experiência parece indicar o contrário.

Conheço vários padres que concluíram com êxito cursos de Engenharia. Não só de Engenharia Mecânica – com que tenho mais contacto –, mas também de Química, de Engenharia Civil, de Electrotecnia, de Informática… Este ano, por exemplo, ordenaram-se dois engenheiros a quem dei aulas no Instituto Superior Técnico. Ontem, outro, também formado no Técnico, apresentou o seu novo livro perante centenas de pessoas. E poderia enumerar muitos mais. A vida mostra que estudar Matemática e Física aproxima de Deus. Basta ver as conversões, entre alunos e professores de Engenharia. Aliás, é sugestivo reparar que o actual Papa se formou em Matemática.

Há fortes razões para as Ciências da Natureza levarem a Deus. Cada experiência universitária valoriza uma sensibilidade cultural específica: é compreensível que o curso de Medicina desperte empatia com quem sofre e ajude a amar a vida humana em todas as circunstâncias; que o curso de Direito desenvolva o sentido da justiça e ajude a compreender a complexidade das relações humanas; etc.!… Cada tipo de formação reforça certas qualidades. Ora, a Física e a Matemática são um caminho muito directo para descobrir a beleza do Universo e a racionalidade de toda a criação. Daí a reconhecer a existência de Deus vai um pequeno passo, quase intuitivo.

Claro que um estudante de Medicina pode endurecer o coração e um estudante de Direito pode transformar-se num especialista em cometer falcatruas sem ser penalizado, assim como um estudante de Engenharia se pode desinteressar da ordem do Universo e só pensar em êxito e dinheiro. Idealmente, a Universidade desenvolve a pessoa em todas as suas dimensões, mas tudo depende da grandeza do coração e da inteligência de cada um. Podemos fechar-nos, ou podemos crescer interiormente…

O que é certo é que a beleza da Física e da Matemática são uma boa preparação para olhar o Universo e reconhecer nele a mão benigna de Deus. Talvez um destes dias desenvolva a questão.

Hoje, o grande tema é que o Papa (formado em Matemática) vai proximamente a Portugal.

José Maria C.S. André

Professor do Instituto Superior Técnico da Universidade de Lisboa